terça-feira, 22 de abril de 2008

Ao 25 de Abril - whatever that means to you


Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos

a substância do tempo


Sophia de Mello Breyner Andresen


No vinte cinco de Abril não estava cá, não porque no ano do acontecimento não tivesse nascido ainda, mas porque geografica (e literalmente) me encontrava por outras esferas.


Mas volvidos 34 anos de história vejo neste país uma longa caminhada ainda para algo que de facto possamos chamar liberdade.


Liberdade pressupõe, acima de tudo, respeito. Respeito pressupõe formação. Formação pressupõe estrutura. Estrutura pressupõe tempo. E vontade.


Mas sem querer entrar em pensamentos mais profundos, aqui deixo apenas o poema - a meu ver - mais conseguido (dos que eu conheço, claro) e que muito bem se aplica ao dia de todos os recomeços...



Recomeça

Se puderes
Sem angústia
E sem pressa.

E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro
Dá-os em Liberdade.

Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.

E, nunca saciado,
Vai colhendo ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar e vendo
O logro da aventura.

Ès homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças…


Miguel Torga

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